O homem moderno e a mulher moderna (Ponto de vista de Paulo Roberto).

Um grupo de mulheres no bar. Entre muitos petiscos e cervejas uma delas deprimida lamenta: – Ele não gosta de mim. Uma amiga do peito bem feminista, grossa e estúpida diz na lata: – Pare de ser Josefa Manola! Vai ficar aí se lamentando por causa de homem? Homem é que nem biscoito; perde um, vem dezoito. Ainda continua a dizer apontando o dedo na cara: – Trate de ser fêmea e pare de agir feito um homenzinho. Outras amigas de copo tentam levantar a moral da amiga deprimida dizendo: – Cabeça para cima, não se entregue por causa de um fim de relação. Mas a melancólica apaixonada retruca em dizer: – Mas eu pensava que ele gostava de mim. O pior foi ter que ouvir de uma outra amiga realista um dito popular muito comum entre as feministas e bem alto: – “Quem gosta de mulher é lésbica, homem gosta é de dinheiro”.Na verdade o meu intuito não é falar da mulher grossa, boêmia, estúpida e moderna, mas do homem moderno, sensível, caseiro, delicado e tradicionalista, algo que aos poucos se tornará muito comum na nossa sociedade se o rumo dos fatos continuar assim. Uma inversão de valores à qual devemos estar preparados. Imaginem um futuro não muito longínquo. Algo mais ou menos assim.

Os homens em casa cuidando dos filhos, mal tendo dinheiro para comprar uma roupa porque as esposas, que sustentam a casa, mal têm condições de manter as despesas do lar doce lar, mas têm dinheiro para sair com outros por aí, ir aos estádios de futebol para ver vinte e duas mulheres e quarenta e quatro tetas correndo atrás de uma bola e, ainda por cima, ir para os ensaios das escolas de samba e toma-lhe cerveja! Toma-lhe bar! Reclamar os homens nem podem, senão ainda correm o risco de apanhar em casa.

“Mulher é tudo igual”, não adianta reclamar, mas os homens sensíveis ainda caem no papo delas, as engravidam correndo o risco de virarem pais solteiros e ainda têm que se casar por pressão da sociedade, pois homem com mais de trinta anos fica para titio. Que ódio!

O homem lava, passa, cozinha, arruma a casa, cuida dos filhos e ainda por cima chora pelos cantos nos piores dias da andropausa. Tem que ir ao urologista e ainda sofrer os inconvenientes da médica urologista que, por pura falta de moral profissional, ainda lança aquele charme tentador, quase irresistível… esqueça! Um homem decente é fiel à esposa, que nestas horas larga até o trabalho nervosa para acompanhar o marido no consultório de urologia fingindo ler uma revista chata de novelas (coisas de homens) por puro ciúmes. Mas até que fazer uns exames de rotina no consultório de urologia faz bem para o ego masculino, pois o cliente sente o charme da médica e ainda tem a companhia rara da esposa. Hora boa para despertar ciúmes em quem tanto reclama em casa. Quem disse que homem não joga?

Não adianta dizer que o homem é um sexo frágil, pois muitos homens se fazem de frágeis para, de forma sutil, deixarem as mulheres loucas. Quem não gosta de um homem delicado, vaidoso, prendado e ainda por cima romântico e submisso? Qual é a mulher que não gosta disto?

Se bem que infelizmente a submissão se converte em agressão, basta olharmos os índices estatísticos cada vez maiores de agressões aos homens, o aumento no número de ONG’S de proteção aos homens (algo como S.O.S. homem) e o número de ocorrência cada vez maior nas delegacias dos homens, às vezes traumáticas estas delegacias, pois os delegados têm um aspecto feminino e feminista demais para o meu gosto, parecem mulheres. Homem delegado?! Isto assusta, pois é profissão de mulher, mas vamos deixar o preconceito de lado. Por outro lado não devemos nos esquecer do grupo MADO, aonde homens que amam demais apanham das esposas e não conseguem pôr fim à relação ou acabam com ela devido ao ciúme (“puro amor”).

Existem maridos que sabem se impor, pedem o divórcio, ainda ganham a guarda dos filhos e têm direito à pensão. Isto homens insatisfeitos! lutem pelos seus direitos! Sejamos unidos (ainda que um homem não suporte o outro) e fortes. Quando raramente um homem trabalha sofre preconceitos, ganha menos para o mesmo tipo de atividade e ainda enfrenta a dupla jornada de trabalho. O pior é que quem ganha mais tende a mandar na relação. “Homem para presidente!”

Vamos dar uma lição nestas mulheres que ainda por cima são carinhosas quando precisam, por puro interesse. Usem contraceptivos, façam vasectomia, usem camisinhas, contrariem as leis tradicionalistas que a Mama discursa no Vaticano e previnam-se destas mulheres que saem com estes vagabundos por aí trazendo doenças para dentro de casa. Evitem filhos, pois filho não segura casamento.

Já basta andarmos nas ruas e vermos em pôsteres de bancas de jornais homens com a bunda de fora e os peitos à mostra na Revista Playgirl. Ainda existem homens que se submetem a isto, mas este tipo de homem é valorizado nesta cultura feminista.

O pior é quando um filho nasce. Ver a esposa em casa de resguardo, coçando a vulva o dia todo e fazendo manha só porque pariu, pedindo para o marido ir ao bar para comprar latas e mais latas, garrafas long necks e mais garrafas long necks de cerveja preta só para ver a sua esposa de porre em casa alegando que precisa da tal bebida por causa da amamentação, pois este produto alcoolizante estimula a produção de leite materno. Claro que a gente se submete a isto por causa do amor e do instinto paterno. É melhor acordar de madrugada, esquentar mamadeiras, trocar as fraudas e dar banho em um bebê lindo do que vê-lo morrer desnutrido por falta de cerveja preta. Ops! Desculpem-me, de colostro ou o popular leite materno. Bem! Quanto a isto não vamos reclamar, pois o sonho de todo homem é ser pai. Ainda que não possamos parir os nossos filhos, nós os esperamos ali, nove meses juntos, ansiosos para que o grande dia chegue logo e pedindo a Deusa Mãe Toda Poderosa que tudo ocorra bem na hora do parto, pois se a esposa morre nestas horas ou durante a gestação ainda corremos os riscos de sofrermos preconceitos e vivermos com uma pensão miserável do INSS só por causa da viuvez.

Por falar em filhos, a natureza não foi generosa com os homens, pois eles que deveriam parir para ficar de resguardo. Deve ser melhor do que lavar, passar, cozinhar e faxinar. Mas a cultura se forma não se sabe como, um verdadeiro desafio para os estudos sociais e uma injustiça da natureza, pois as mulheres fortes e imponentes ainda têm descanso; enquanto nós, homens frágeis, dobramos as nossas atribuições só porque ajudamos na conservação da espécie humana.

Nossa! Como eu sou preconceituoso e mesquinho! Por puro egoísmo e ciúmes fico falando destes homens fáceis que existem por aí, chamando-os de vagabundos. Mas a condição social conduz alguns homens a isto. Abandonados, masculinos e frágeis diante de uma grave crise social que tira as condições de sobrevivência das pessoas, fica óbvio que os homens na condição de miséria absoluta vão se prostituir, procurar uma “vida fácil”, e ainda existem mulheres feministas que saem dizendo por aí que homem só consegue ser maioria nas termas ou nos puteiros da vida. É triste isto! Mas a fragilidade masculina conduz os homens a este triste fato. Homem consegue ser maioria no trânsito? Ainda temos que ouvir por aí “homem no volante, perigo constante.” Homem é maioria na política? Homem é maioria nas fábricas? Homem é maioria nas universidades? Quando raramente um homem vira intelectual, torna-se machista, comunista, fanático pelo Partido Das Trabalhadoras e ainda tem cabelo nos sovacos. Eca! Que porcaria! Homem é maioria nas forças armadas? Homem é maioria nos presídios? Homem é maioria na filosofia? Aonde homem é maioria? Me diga. Ah tá! Me esqueci. Homem é maioria também no salão de beleza.

Mas os homens aprendem a usufruir do sexo frágil aos poucos. Quando alguns homens modernos descobrem que são traídos pelas esposas, noivas ou namoradas passam a trair também. Só que na nova psicologia moderna a mulher trai para manter a relação, o homem trai para dar o fora da relação. Isto que eu disse agora se justifica. O homem nem sempre consegue manter a beleza que tinha no início do namoro, do noivado ou do casamento, pois as atividades domésticas o impede de se cuidar. Cansado não consegue fazer amor com a sua parceira como antes, a relação fica desgastada e o atrativo do homem piora quando ele envelhece e engorda por causa da idade, pois homem não joga pelada e não consegue fazer uma atividade física saudável. As mulheres sempre arrumam um tempinho para isto. Como a mulher é essencialmente intempestiva arruma um amante para ter sexo fora de casa e amor em casa. Mas se um homem arruma uma amante, cansado da esposa que tem em casa dá o fora, pois a estima dele se eleva até porque têm outras mulheres que olham para ele. O homem moderno será aquele que aos poucos deixará de ser dondoco e tradicionalista e passará a dividir a conta no restaurante para mudar aquela idéia de que “homem não paga.” Mulheres, não reclamem, pois vocês nos ensinaram isto.

Quando os homens ficam em cima de vocês (mulheres), com verdadeiras crises de ciúmes e chiliques, saibam que vocês deram muitos motivos para isto. Agora, se um homem sabe deixar uma boa mulher dependente emocional, simulando situações que despertam ciúmes nela, o risco é grande, pois é traição na certa. Aprendam isto, mulheres. Ufa! Eu precisava desabafar.

Até na mídia a televisão à cabo cria programas com temas masculinos. Vocês já viram Sex In The City (for men)? Uma série de TV que retrata a vida de quatro homens independentes que saem pelas baladas de Nova Iorque atrás de aventuras amorosas, muitas delas livres. Alguém já viu o programa “De Calça Arriada”? Um programa de debate entre homens, normalmente um jornalista e mais três convidados permanentes que discutem temas comuns aos homens, falam alto e não sabem concluir nada, pois homem não sabe encerrar um assunto porque não foi educado para ser prático e objetivo, a prova disto é que os homens pensam em círculos. E aqueles programas na TV convencional com homens metidos a mestre cuca sem ser na cozinha ensinando receitas ou sentados fazendo feições de inteligentes discutindo problemas como varizes? Alguém aqui nunca viu a TV Homem ou Os Avassaladores? Fora as músicas antigas de Júlio Iglesias que tratam do homem traído, abandonado, mal amado, transmitindo uma idéia brega e feminista de que homem gosta de sofrer.

Falo tanto da inteligência masculina, mas um homem inteligente consegue tirar muitas mulheres do sério com os seus argumentos irrefutáveis e emotivos. Um desafio para a razão humana, pois a inteligência emocional sabe calar uma boca. Os homens emotivos sabem dominar este tipo de inteligência muito bem, pois a nossa percepção é apurada o suficiente para isto. Gosto de ver um homem ousado, desaforado, que grita, que se impõe e ainda prova emocionalmente, ainda que chorando, que está certo. Nem todos os homens levam desaforo para o quarto, já que em casa as esposas trazem. Quem foi que disse que “homem não tem lógica ?”

O pior é o telefone celular, que as mulheres tão delicadamente chamam de “prisão”. Os homens preocupados costumam ligar umas 10 vezes durante o dia só para dizer coisas simples como: – Oi! Te amo! Você está bem? Eu sinto saudade. Beijos. O pior é ouvir a pessoa que a gente tanto ama responder apenas tchau! Fora os torpedos mandados, muitos deles enviados porque o aparelho de telefone celular está desligado ou fora da área de cobertura. Desligado? Será? Parem de paranóias, homens. O sexto sentido pode ser falho, ainda que raramente.

Mulheres, admirem logo a beleza masculina e se encantem com ela nas capas de revistas femininas, na sensualidade dos passistas das escolas de samba exaltando o corpo. Eu admito que sinto inveja destes homens de belos corpos que posam nus ou desfilam na avenida, mas admito que tudo o que é bonito é para se mostrar. Existe esporte mais lindo do que a ginástica rítmica, esporte essencialmente masculino?

Mulheres, admirem o homem que vocês têm em casa, que exerce as atividades do lar, pode ter uma dupla jornada de trabalho para ganhar menos do que as mulheres, que sofre preconceitos, que sabe ser pai, amigo e companheiro na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, na vida e na vida, pois um homem bom não quer ver a sua esposa morta, quer amá-la. Um homem este que não tem tempo para muitas coisas, mas atrasa a ida para um passeio ou um evento social para ficar bem arrumado e bonitinho para o seu bem-querer, que sabe ser sensual mesmo na adversidade do mundo. Valorize a piscadela de um homem. Quando um homem pode vai para um salão de beleza cuidar da aparência ou se depilar usando métodos dolorosos. Saiba que o homem faz isto por você, mulher. Saiba ser carinhosa com o que tem, não deixe que uma cabeleireira lésbica, apenas ela, faça carícias na nuca daquele que sempre está do seu lado, isto se não for moderninho, é claro! Ah! Nunca se esqueçam: “Por detrás de uma grande mulher, sempre existe um grande homem.”

* * *

Será difícil ser mulher. Ainda mais neste perfil futurista aonde a nossa Era, que extravasa os limites da modernidade, praticamente chutou o balde do que é contemporâneo. Eu mesmo me coloquei, de forma altera, e pasmem, sem dificuldade alguma, na situação da mulher cada vez mais mandona, e percebi até que é bastante interessante esta inversão dos valores. Bastam alguns exemplos práticos do dia a dia não muito longínquo, ao menos tudo tende a isto.

Existe coisa melhor do que um homem ficar quieto na dele, esperando que uma mulher tome a iniciativa no que diz respeito a conquista? Claro que não! Nesta nova situação a mulher que deverá vencer os limites da timidez, jogar um papo muitas vezes furado, mas agradável, pois é bom rir de uma boboca de vez em quando e ainda por cima dar uma de homem difícil. Legal isto, não?

Na arte de conquistar a mulher que deverá insistir para pagar o nosso drinque (obviamente não aceitaremos, pois não devemos ser fáceis e quebrar este tabu de que homem não paga, ao menos por enquanto, pois uma economia cairá sempre bem), ainda pedir o nosso telefone e perguntar timidamente qual o melhor horário para nos telefonar, a fim de combinar um cinema no fim-de-semana com direito a pipoca. Neste caso, quem fizer o convite pagará, pois será uma questão de gentileza da nossa parte aceitar qualquer convite.

O melhor é saber que nestas primeiras conversas a mulher gentil e educada de vez em quando se sentirá deslocada. Muitos homens, para mostrar que não são bobos, programarão os seus telefones celulares para tocar de meia em meia hora. Só para fingir que conversam com alguma “amiga”. Não entendam isto como uma paranóia, é uma estratégia eficaz. Imaginem uma boboca “chegando junto” de um homem, mostrando charme e sem graça quando um telefone toca, ouvindo o pretendido falar bem alto o nome de uma “amiga” fictícia qualquer. É bom humilhar uma mulher de vez em quando, pois devemos mostrar que temos atrativos, ainda que conversando ao vento. Nestas horas o batimento cardíaco de uma pretendente acelera, fazendo-a tomar uma iniciativa mais intensa, pois a pior coisa que existe para uma pessoa do sexo feminino é ter o ego ferido.

Tudo parte da mulher neste admirável mundo novo; o primeiro papo, a primeira gentileza, o primeiro telefonema, a primeira carícia, o primeiro beijo e muito tempo depois o primeiro sarro para muito mais tempo depois a primeira transa. Por falar em transa, existe coisa pior para uma mulher do que interromper um momento de excitação forte só para colocar uma camisinha? O problema é dela, pois quem tem que mostrar serviço não será apenas o homem. Mas sexo só deve ser feito, ou melhor, amor, depois que a sua ficante ou namorada estiver demonstrando graves sinais patológicos de dependência emocional. Vão na minha, eu sou cascudo e sei o que digo.

Talvez uma das piores coisa que existirá para uma mulher é ter que entrar no cheque especial por causa da imponência feminina, pois mulher terá que ter carro, pagar IPVA, encher o tanque e não repetir roupa. Neste caso a mulher deverá estar preparada também para trocar o pneu de um carro quando fura, sujar as mãos de graxa quando possível e ainda por cima lavar o veículo, pois homem não suporta carro sujo, muito menos sujeira.

Mas admito que em grande parte o feminismo seremos nós, os homens, que criaremos, pois um bom homem sempre deixa uma “deixa” para que uma mulher chegue junto. Algo como ficar vermelho de vergonha quando percebe que está sendo admirado a uma certa distância, deixar cair delicadamente um lenço no chão para que uma mulher gentilmente se agache para pegá-lo e possa assim puxar um assunto ou qualquer outra coisa do tipo. Sabe como é, muitas vezes a gatinha é tão tímida que deveremos dar uma força básica, tão básico quanto um conjunto jeans preto na night, pois preto “ajuda” a emagrecer.

Agora, cá entre nós homens, aturar as nossas breguices deverá ser difícil. Algo como a coisa mais ridícula para uma mulher, ir ao casamento de alguém com o seu namorado. Homens chorando de emoção porque a vez deles demora a chegar, aquela roupa exuberante para depois da noiva aparecer mais na festa, aquela pose com um terno impecável e uma discreta polchete na cintura que cabe um mundo inteiro dentro.

Nosso Senhor Das Graças! Nosso Virgem Mário Sagrado! Deve ser mesmo irritante aturar um homem numa cerimônia desta. E na hora do noivo lançar o buquê de rosas, vestido normalmente com um terno branco maravilhoso, só para mostrar ao olhos da sociedade que se casou virgem (e muitos tradicionalistas se casam mesmo). Que vergonha para as namoradas! Aquela briga para pegar o buquê entre socos e pontapés, tudo isto por causa de uma superstição babaca.

É possível existir algo pior do que isto? Existe, o pior que existe. Imagine você, mulher, numa cerimônia de casamento vendo o seu namorado pegando o buquê. Que vergonha! Todos olharão para você dizendo ao bater no seu ombro: – E aí, hein?! Quando será o casório? Quero ser a madrinha. A pressão da sociedade parece forte demais e impiedosa nestas horas. O mundo parece desabar. E ainda tem que rir vendo o seu namorado com aquele brilho romântico nos olhos vindo na sua direção para beijá-la e para mostrar que tem dona. Chato é ter que ouvir para agilizar logo o casamento, pois a graça do buquê não significa necessariamente que vai se casar com ela, pois existem muitas pretendentes por aí (haja telefone celular programado para tocar!). Conforme eu disse acima, a dependência emocional nestas horas funciona.

Será possível existir ainda algo pior do que isto? Lamento dizer, mas existe. O grande dia do casamento. A noiva terá que se arrumar logo e ir cedo para a Igreja esperar o noivo chegar, normalmente atrasado em mais de 45 minutos, desrespeitando até o cansaço da Madre, que normalmente tem uma idade avançada, só para criar suspense e provar que o príncipe, na sua noite mais importante, deverá ser o centro de todas as atenções. Algo do tipo ver as pessoas olhando para o relógio, menos do que a futura esposa, dizendo aos cochichos: – Será que ele vem? Será que ele desistiu? Será que aconteceu alguma coisa? Vixe nossa!

Nestas horas, na grande maioria das vezes, um noivo pensa se tudo valeu a pena. Algo como pedir à mãe do noivo em namoro, depois em noivado, depois em casamento, namorar em casa e de frente ao portão sob o olhar ciumento da mãe do futuro marido, comprar móveis, eletro domésticos, financiamento da casa própria ou correr atrás de uma moradia para alugar. Como se não bastasse o desgaste da festa de despedida de solteira na noite anterior com as amigas do peito, boêmias, grossas, estúpidas e modernas, ainda ter que aturar aquilo tudo. Para o aumento da tristeza, o noivo chegando de braços dados com a mãe (à sua direita) usando um terno branco coberto de brilho mais do que exuberante, porém não tem a mesma eficiência do preto, que “ajuda” a emagrecer. Nestas horas que o realismo vem à tona, a noiva chora de desespero enquanto os outros pensam que é de emoção, pois o amor é lindo! Mal sabem as convidadas que aquilo tudo não será um raro momento maravilhoso de sensibilidade feminina, normalmente durona, mas de arrependimento. As técnicas de conquistas se encerram ali, infelizmente.

Só no fato da noiva pensar que nada do que fizera antes valera a pena; o primeiro olhar, o primeiro papo, a primeira gentileza, o primeiro beijo e a tragédia final, o altar. Um sentimento estranho, aonde a noiva não pode reclamar de nada, pois todas as iniciativas foram tomadas por ela. A inconveniência daquele momento, de todos os momentos. Triste é pensar que o telefone celular dele vivia tão ocupado. Algo que a faça pensar e falar bem baixo, consigo mesma: – Logo eu?! Nestas horas até mulher acredita em destino, só que sob o prisma do carma.

Tudo ali dará uma vontade louca para a noiva, nestas circunstâncias, sair correndo desesperada da Igreja; a ansiedade na demora da resposta do sim ou do não por parte do noivo, que nestas horas faz charme e demora mesmo a responder, aumentando as esperanças da noiva de ouvir um não. Chega a ser tragicômico, pois o sim é respondido bem baixinho, mas de forma firme, aonde o homem mostra a sua capacidade de mostrar imponência, enquanto a mulher responde o seu sim gaguejando bem alto, pois a voz parece não querer sair, exigindo força para falar.

Tudo isto por causa de visíveis quilos a mais no noivo, percebidos somente ali, naquele momento. A cegueira da conquista, aonde a mulher pensa que tem o dom de conquistar, mas no fundo é conquistada não se sabe como. A loucura no motel, aonde a mulher, querendo logo sentir algo dentro sequer perceberá o corpo do seu parceiro. Pura questão de imaturidade, pois os amantes costumarão ser mais esbeltos, porque às duras penas as mulheres aprenderão que a pressa é inimiga da perfeição.

Claro que em certos momentos existirá a situação contrária. Existirão casos, ainda que rarissimos, que tudo aquilo parecerá valer a pena, pois o noivo é gostosão, foi transado por quase todas as convidadas presentes na Igreja bem antes do casamento, menos para a noiva, que nestas horas nem desconfiará de nada e não verá a hora de tudo aquilo acabar para ver pela primeira vez o seu homem nu. Normalmente noivas assim serão ciumentas, prenderão ou tentarão prender os maridos dentro de casa, pois coisa boa não poderá sair à vontade por aí. Só que casais assim se divorciarão logo, pois os homens não tolerarão muito isto. Se bem que algumas ciumentas até preferirão ser traídas para não perder o amor que tem, pois é melhor ser chifruda e gozar de vez em quando do que não ter mais prazeres nesta vida. Bem! Como eu disse, parecerá que tudo valerá a pena.

O pior mesmo, isto é o que há de pior mesmo, é perceber que depois de casado as possibilidades se encerrarão na vizinhança. Isto fará com que as mulheres saiam para bem longe de casa para esconder a aliança sem ressentimentos. Uma mulher deverá se sentir castrada depois de casada. Deverá ser como se cortassem o útero dela e o lançasse fora. A viagem de lua-de-mel, normalmente numa praia cheia de homens se bronzeando com a bunda virada para o sol, mas com o marido ali do lado pedindo para passar o bronzeador nele para queimar o filme de vez, mais do que um torresmo na frigideira ou uma alma perdida no fogo do inferno. Aquela sensação horrível de nada poder fazer. Deverá ser mesmo chato ser mulher em algumas situações.

Mas a vida de mulher nem de tudo será ruim. A cultura feminista, por exemplo, fará que as últimas palavras da casa para impor a ordem seja de uma mulher: – Sim, amor. Normalmente serão estas as palavras. É prático levar a vida no sim, não, não e sim. É simples.

Uma boa mulher nesta cultura feminista exigirá que ela arrume logo um amante, ou tenha duas namoradas se for o caso. Mulher que tem um homem só é boba, mulher que tem dois homens é fêmea. Um assunto tão delicado quanto os homens para se discutir, mas a realidade é esta.

Alguma mulher já pensou na vantagem de ter um sogro. Um sogro é um segundo pai, aquele que demonstrará maturidade e experiência na hora em que um casal se encontrar desorientado no momento em que tiver o primeiro filho, que ensinará o seu marido a trocar as fraudas, a dar um banho com jeito carinhoso, a preparar a mamadeira e a revelar o momento exato em que o alimento do bebê estiver no ponto. Um sogro vale para a vida toda.

É óbvio que não poderemos ficar sem falar na sogra, que nos seus momentos de resguardo trará cerveja preta para encher a cara vendo um bom futebol, com um charuto cubano para comemorar o nascimento do neto ou da neta, etc… . Uma sogra que lhe ensinará a ser cafajeste, a dobrar o próprio filho nas artimanhas de combinar uma pesca. Uma amigona e tanto a ponto de ser mais agradável do que a sua própria irmã. Uma sogra alegra qualquer ambiente neste universo feminino.

No entanto, uma mulher terá os seus momentos de romantismo ao chegar em casa e ver o marido suado, com short, sem camisa e cansado depois da faxina em casa. Isto deve atiçar os ânimos de qualquer mulher, pois é excitante perceber que o homem dela perdeu uns quilos nos afazeres domésticos. Ou naquela noite fria, em que o frio comum no inverno força o casal a dormir abraçado, pois um sempre puxa o cobertor para o seu lado, normalmente os homens que são mais frientos. No dia de calor que força um casal apaixonado a tomar banho junto por causa da falta d’água, etc… . Situações pitorescas da vida, mas excitantes e românticas assim mesmo, pois tais circunstâncias geram carinhos, êxtases e alegrias, pois o banho no calor refresca, o abraço no frio aquece e a vida agradece.

(Paulo Roberto)

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